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quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Santidade nas coisas pequenas

Havia algum tempo que nós não escrevíamos nada aqui no blog. Estamos todos de volta a nossa rotina e as vezes falta tempo para escrever e até mesmo ir na igreja.  Aliás, eu gosto muito de ir na missa de quarta-feira lá na paróquia, pois durante a semana sinto falta da missa. Mas já faz algum tempo que eu não vou na missa de quarta-feira e venho me questionando sobre isto. Como conciliar a vida real, no mundo, com a Igreja? Será que nos dias “úteis” eu estou mais distante de Deus do que no domingo ou no dia em que vou na missa?
Eu acreditava que sim, até que li uma frase de Sta. Teresinha. Ela fala que “A oração é um impulso do coração, um simples olhar dirigido para o céu”. Só consegue fazer isso quem está ligado com Deus no seu mais profundo íntimo. A partir daí cheguei a conclusão de que precisamos viver para Deus todos os dias mas viver no mundo.
Não podemos nos trancar em nossas paróquias e viver todos os nossos dias voltados para o altar e quando precisássemos sair na rua, enxergássemos em tudo a “mão do encardido”. Não foi isso que Jesus fez. Ele ia, sim, à sinagoga rezar, mas não deixou de aprender uma profissão (marceneiro), não deixou sua família e não fazia distinção de ninguém, fossem leprosos ou doutores da lei.
Precisamos ser bons, precisamos ser santos, a tal ponto de amarmos e nos interessarmos também por aqueles “perdidos na vida”. Caso contrário estaríamos sendo o menino que é dono da bola, que nem joga tão bem assim, mas só escolhe os melhores para seu time.
Devemos ser bons estudantes, bons profissionais, bons colegas, bons filhos, primos, pais. Pois Deus criou um mundo belíssimo para descobrirmos e contemplarmos. Não será meia dúzia de pecados que irão nos impedir disso, pois “Onde abundou o pecado, a graça superabundou!” (CIC 1848). Por fim, pretendo falar nos próximos posts sobre exemplos dessa vivência. Hoje posto um vídeo sobre um santo que tenho lido bastante sobre ele, São Josemaria Escriva. 



domingo, 13 de março de 2011

Precisamos de mais Simãos Cirineus!!!


”Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e mandaram-no carregar a cruz atrás de Jesus.”(Lc 23, 26)

Hoje, eu queria falar pra vocês um pouco sobre um personagem bem desconhecido da maioria das pessoas, até de dentro da Igreja. Simão Cirineu. Não, não é Simão Pedro, nem Simão Zelote (o outro discípulo). Simão Cirineu não tem nada a ver com esta história. Na verdade, não se sabe nem se ele sabia quem era Jesus Cristo. Mas o que ele tem de mais, afinal?
Se você não leu, leia a passagem acima. Este é o único versículo que este Simão aparece na Bíblia. Em um único versículo ele nos ensina muita coisa. Vamos aos fatos: Jesus está no caminho para dar Sua vida por nós e Simão volta do seu trabalho, sem nem saber o que acontecia no meio do seu caminho de volta pra casa. Mesmo assim, ao ser chamado não negou ajuda para carregar a Cruz.
Será que esta história tem alguma semelhança com nosso cotidiano? Acho que sim! Se você participa de algum movimento ou grupo de igreja, é provável que já tenha ouvido falar que é preciso ter disposição para seguir Jesus. Mas ficar dentro da Igreja, com os nossos amigos e companheiros, é fácil e geralmente se resume ao final de semana. E no resto do tempo?
Temos nossos compromissos, faculdade, escola, trabalho, esportes, computador ou assistir “Todo mundo odeia Chris” toda a tarde. Simão de Cirene também tinha, era trabalhador do campo. Geralmente, mantemos uma rotina igual durante todo o ano, dias úteis de trabalho ou estudo e finais de semana de louvor e vivência com o Senhor. Mas termina o trabalho ou estudo, só pensamos em ir descansar, termina nosso encontro na Igreja e só pensamos em ir descansar. Talvez não tenham lhes dito: EXISTE UM MUNDO COM SEDE no caminho do trabalho/estudo/igreja até as suas casa. Um mundo com sede de um abraço, de um conselho, de um sorriso, de uma correção fraterna.
Quantas pessoas sofrem caladas, com problemas em suas famílias; com problemas dentro de si mesmas; com problemas apenas físicos e querendo mostrar que são capazes; com o problema de não ter problema e nem mais nada também. Pessoas sedentas por algo a mais que preencha os corações delas, e este coração, como o meu e o seu, só se contenta com algo da mesma imensidão que ele, ou seja, DEUS. Mas o que isso tudo tem a ver com Simão Cirineu?
É claro que não podemos tomar totalmente os problemas dos outros e resolve-los para eles, deixando-os sem fazer nada. Mas é nosso dever apontar para aquele olhar de Cristo, aquele Amor (sim, tão grande que leva um “a” maiúsculo), para pessoas que às vezes se vocês falarem de Deus pra elas, elas se espantem, mas se derem um abraço e se interessarem por elas, farão a diferença que nenhuma palavra jogada ao léu transformaria tanto.
Por isso, fiquem atentos, vigiai, quando menos vocês esperarem, quando pensarem que suas obrigações diárias estão prontas, alguém pode aparecer no caminho de vocês sedento por ajuda. Será que vocês serão capazes de dizer “já não está mais no meu expediente de cristão” ou será que vocês farão como Simão Cirineu e tomarão a Cruz de um estranho ou até de um conhecido.
Sim, conhecidos também. Às vezes o irmão que está do teu lado pode estar sorrindo, mas por dentro tem suas feridas que podem ter sua dor aliviada com uma conversa ou coisa do tipo. Enfim, era esta minha mensagem para vocês, um abraço e uma demonstração de interesse pelo outro não mata ninguém, pelo contrário, ajuda até a esquecermos de nossos desafios.

“Fazer o Bem sem olhar a Quem!”

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Bordado, O Pecado e A Graça de Deus

Hoje começa o período da Quaresma. Tempo de reflexão, sobre nossos erros, nossas falhas, nossos pecados. Tempo de usar esta reflexão como uma empresa que faz o balanço do seu ano, se foi positivo ou negativo e quais as metas para o próximo ano. Mas muitas pessoas acabam com dúvida, e vêem a Quaresma como um período de sofrimento, escuro, que soa como um suave masoquismo botando o dedo nas nossas feridas apenas para lembrar o sofrimento do erro. Isto não é Quaresma. Entretanto, é complicada mesmo a relação entre o nosso Pecado e a Graça de Deus.
Para compreender isto, devemos lembrar, primeiro, que temos uma natureza divina. Fomos criados por Deus com todo o amor e carinho, e apenas a nós ele proferiu a belíssima frase: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Note também que me refiro aqui a Deus como Deus-Trino, Pai, Filho e Santo Espírito). Porém também temos em nosso ser uma natureza pecadora. O fruto proibido. Carregamos em nós todos os sentimentos maus que nos brotam, as vezes sem nosso querer – aquele “não consigo perdoar tal pessoa”- e que foram semeados com Adão e Eva. Por isso dizemos que carregamos o Pecado Original. Mas como essas duas naturezas se relacionam? Vou contar uma história:
Eis que havia uma mulher que adorava bordar suas toalhas, panos de prato, crochês e tantas outras belas coisas. Ela bordava belissimamente. Um dia sua filha pequena, uma criança, pediu que a mãe a ensinasse a bordar. Ela admirava muito o que a mãe fazia, pois no final era tudo muito belo. Então começou a aprender com a mãe. Estava bordando um desenho em sua toalhinha de rosto. Depois de um tempo, a menina ficou muito triste. Seu desenho estava muito desfigurado e incompleto. Ela pediu ajuda a sua mãe e elas, rapidamente, terminaram o bordado. No final, a menina perguntou o que estava fazendo de errado. A mãe respondeu, com enorme carinho, que a filha estava se preocupando com a face errada do bordado. Ela estava cuidando muito a face em que os fios passam por trás do pano, e não com a face onde os fios formam um belo traçado. E ela não conseguia terminar o desenho da outra face porque não estava focada nele.
Não sei se a menina tinha capacidade para entender tudo isso, mas é só uma história. Nela, a Graça de Deus aparece como o belo traçado que os fios formam e o pecado aparece como os nós, em baixo do traçado. Tudo isso ocorre na “toalha” de nossa vida. E o pecado é assim mesmo, deixa nossa vida feia, desfigurada, estranha se olharmos apenas para ele. E a Graça de Deus torna nossa vida bela, agradável aos olhos de quem a vê. Mas essa relação tem seus desafios. Se nos preocuparmos apenas com nossos pecados, nunca observaremos a beleza que é a Graça de Deus em nossa vida. Mas se quisermos apenas a Graça de Deus e não lembrarmos que temos pecados por trás dessa beleza toda, caímos no erro da soberba, do “se achar” e nosso tombo é feio, pois os fios daquele bordado estavam firmes no lado “feio”, no lado do pecado, ou seja, lembrando que devemos ser humildes. São nossas falhas, erros, pecados, quando arrependidos verdadeiramente, impulsionam para uma vivencia ainda melhor de nossa condição humana e nos livra de todos os perigos das depressões e discussões depreciativas que vemos no mundo hoje.
O texto ficou meio longo, mas espero que tenham entendido a mensagem. Desejo a vocês uma boa Quaresma, uma boa reflexão sobre nossa condição de ser humano, limitado e agraciado, e que sigam firmes na esperança da Páscoa que há de vir em breve. Ah, e lembrem que quando o bordado estiver difícil e vocês acharem que estão sendo tentados a errar demais e falhar, peçam ajuda à nossa Mãe que está lá no céu e que sempre vem até nós, quando pedimos, nos ajudar a bordar, pois ela nunca falha nem nos abandona.




quarta-feira, 2 de março de 2011

Aonde sua casa está construída?

"Se as pessoas só são boas por temerem um castigo e almejarem uma recompensa, são realmente muito despresíveis."

Esta frase acima foi escrita por um físico alemão que alcançou alguma projeção no século passado. Albert Einstein. Este sujeito publicou um livro chamado "Out of my Later Years", em português traduzido para "Ciência e Religião", livro que questiona a relação entre estas duas forças e onde se encontra a frase acima.
Bom, de física é que eu não vou falar. Tenho sérios problemas com essas teorias tão exatas que eu sempre exatamente erro. Quero questionar a vós, querido leitor que humildemente lê este pequeno blog, como você acredita em Jesus Cristo. Será que não estamos tendo um falso "temor a Deus" e por medo do inferno estamos realizando nossa caminhada de fé? Será que nosso medo de um castigo é maior do que a vontade de seguir a Cristo apenas por amor? Ou então estamos fazendo ao contrário. Seguimos a Cristo por apenas prazer, porque ao seguir a Cristo encontro amigos que me aceitam como eu sou, que me respeitam em minhas falhas, porque seguindo a Cristo eu sou notado, me torno alguém importante para outro alguém? E assim vou me acomodando, feliz como um filho de um bilionário, que pode comprar os céus e as terras que eu quiser.
Creio que esta não deve ser nossa postura. Se vivemos assim, estamos sendo como aquela pessoa imprudente que Jesus fala no Evangelho, que construiu sua casa sobre a areia, veio o vento e a chuva e logo derrubou esta bela casa, tudo por causa de sua fundação. Aonde está fundamentada a nossa casa? Aonde está construída nossa caminhada de fé? Na areia ou na rocha? É como eu li estes dias no livro A Imitação de Cristo:
"Muitos amam Jesus enquanto não surgem as contrariedades. Muitos louvam e o bendizem enquanto dele recebem algumas consolações. Basta, porém, Jesus se afastar um momento para que se queixem e caiam em grande desespero."
Portanto, nossa fé deve estar construída em cima de um querer estar junto, CONVIVER com Jesus. É como duas pessoas que tem um boa relação (namorados, amigos, pais e filhos), as vezes não precisa haver um diálogo, apenas um estar do lado do outro para que isso seja suficiente para encher aquele momento. É claro que eu adoraria me emocionar e chorar todas as vezes em que Ele toca meu coração na comunhão ou em outro momento. Mas não é só de emoção que vivemos, alguém precisa parar de chorar, mesmo que de alegria, se conscientizar de que Cristo está com ele aonde for, e partir para a AÇÃO. É caminhando que se faz o caminho. Já pensou se todas as missas e todas as tardes que nos reunimos em nome d'Ele todos começássemos a chorar, todos os dias? Existem coisas que apenas a ESPERANÇA de uma fé convicta nos dá. Eai, aonde está construída a sua "casa"?

terça-feira, 1 de março de 2011

Você não nasceu para ser lixo!!!

Eis a primeira postagem do blog! Gostaria de falar sobre nossa postura diante do mundo. Nossa busca por melhorar sempre, de nos santificarmos, é uma constante em nossa vida. Mas também a buscar por conforto, comodidade, facilidade, é algo que estimula e faz o mundo girar atualmente. Será que tanta comodidade e conforto assim vale a pena?

Aqui está um pequeno trecho de uma homilia do Pe. Léo, sobre este assunto.